Comunicação passivo-agressiva: o que é e por que atrapalha tanto nas empresas
Indiretas, sarcasmo, silêncios e ironias: a comunicação passivo-agressiva é mais comum do que parece — e muito mais nociva do que se imagina. Neste artigo, você vai entender como ela se manifesta nas empresas, por que afeta tanto o clima organizacional e o que líderes e equipes podem fazer para quebrar esse ciclo com comunicação assertiva.
COMUNICAÇÃO CORPORATIVA
Denise Rasmussen
12/22/20252 min read


"Nossa, nem é por mal, mas..." — Frases como essa escondem um tipo de comunicação que mina a confiança, gera ruído e bloqueia resultados: a comunicação passivo-agressiva.
No ambiente corporativo, ela aparece de forma sutil, mas com efeitos profundos: recados enviesados, ironias disfarçadas, silêncios estratégicos e e-mails com tom ambíguo. O impacto vai muito além de mal-entendidos — afeta diretamente a saúde emocional da equipe, a produtividade e a cultura organizacional.
Como identificar falas passivo-agressivas no dia a dia
A comunicação passivo-agressiva se esconde por trás de frases aparentemente inofensivas, mas carregadas de julgamento ou ressentimento.
Exemplos clássicos incluem:
“Eu até ia fazer, mas achei que ninguém se importava…”
“Claro que eu faço, né? Como sempre…”
“Se você acha que isso é o melhor, tudo bem.”
“Depois não diga que eu não avisei.”
Além disso, ela também aparece em formas não verbais: longos silêncios, olhares de reprovação, sarcasmo constante e uso excessivo de indiretas em e-mails ou mensagens de grupo.
Por que elas são tão comuns nas empresas
A passivo-agressividade é, muitas vezes, uma forma de evitar conflito direto — mas que acaba gerando um conflito muito mais nocivo: o implícito.
Ela surge quando não há cultura de escuta, segurança psicológica ou espaço para discordâncias saudáveis. Em ambientes onde lideranças punem o erro ou ignoram desconfortos, os colaboradores aprendem a se proteger usando indiretas ou omissões.
Outro fator: falta de repertório comunicacional. Muitos profissionais simplesmente não aprenderam a expressar limites, desconfortos ou críticas de forma clara e respeitosa.
Impactos na performance e no clima organizacional
A comunicação passivo-agressiva afeta diretamente:
A confiança entre colegas e líderes;
A velocidade na resolução de problemas;
O engajamento das equipes;
A percepção de justiça e segurança emocional.
Além disso, ela cria um ambiente de tensão constante, onde as pessoas “pisam em ovos” e evitam confrontos produtivos, o que compromete a inovação, o alinhamento e os resultados.
Esse padrão, repetido, enfraquece a cultura organizacional e abre espaço para comunicação tóxica no trabalho, baixa performance e alta rotatividade.
Como mudar esse padrão com assertividade
A boa notícia? É possível (e necessário) quebrar esse ciclo com comunicação assertiva e intencional.
Aqui estão alguns passos:
Nomeie o comportamento, não a pessoa:
Ex: “Percebi que há indiretamente um desconforto com a decisão. Podemos falar sobre isso?”;Crie espaço para conversas difíceis:
Times maduros aprendem a discordar com respeito e transparência;Treine a equipe para dar e receber feedbacks:
O feedback assertivo é direto, focado em comportamento e propõe solução;Lideranças devem modelar o comportamento:
Um líder que usa ironia ou silêncio como punição sutil, ensina a equipe a fazer o mesmo.
Cultura corporativa saudável se constrói com clareza, escuta e presença. E isso começa na forma como falamos — e ouvimos.
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